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Archive for abril \30\UTC 2011

Enquanto faço o verso, tu decerto vives.
Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue.
Dirás que sangue é o não teres teu ouro
E o poeta te diz: compra o teu tempo

Contempla o teu viver que corre, escuta
O teu ouro de dentro. É outro o amarelo que te falo.
Enquanto faço o verso, tu que não me lês
Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala.
O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas:
“Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas”.
Irmão do meu momento: quando eu morrer
Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo:
MORRE O AMOR DE UM POETA.
E isso é tanto, que o teu ouro não compra,
E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto

Não cabe no meu canto.

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Contente. Contente do instante
Da ressurreição, das insônias heroicas
Contente da assombrada canção
Que no meu peito agora se entrelaça.
Sabes? O fogo iluminou a casa.
E sobre a claridade do capim
Um expandir-se de asa, um trinado

Uma garganta aguda, vitoriosa.

Desde sempre em mim. Desde
Sempre estiveste. Nas arcadas do Tempo
Nas ermas biografias, neste adro solar
No meu mudo momento

Desde sempre, amor, redescoberto em mim.

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Hilda Hilst, Júbilo, memória, noviciado da paixão

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Aqui, além de obter informações artísticas da região e do mundo, o leitor poderá visualizar um pouco dos bastidores desta seção da Revista Evidência, a fim de compreender o que existe por trás da produção de cada texto: o que será publicado na próxima revista, como as matérias são produzidas, em que fontes elas estão embasadas, o que ficou de fora do texto final mas merece ser lido, quais são as indicações de leitura… Enfim, poderá acompanhar o trabalho de pesquisa, leitura e produção até a publicação do texto final, podendo deixar suas sugestões à autora!

Para dar início, deixo a seguir as imagens dos livros que fundamentaram as leituras com vistas a publicação da próxima matéria do Arte é…, que será sobre a lendária e apaixonante Hilda Hilst. A poetisa brasileira viveu entre os anos de 1930 e 2004 e deixou como legado dezenas de livros literários, que oscilam entre os gêneros poético, dramático e narrativo.

Abraço,

Cimara Valim

 Quem és? Perguntei ao desejo.
                Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada.

Hilda Hilst, Do desejo

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