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Archive for julho \31\UTC 2012

A prosa é o diurno, a poesia é a noite: se alimenta de monstros e símbolos, é a linguagem das trevas e dos abismos. Portanto, não há grande romance que, em última instância, não seja poesia.

Ernesto Sábato

Dentro da arte hispânica, destacamos três grandes nomes que possibilitaram não apenas a internacionalização da literatura argentina, mas, em especial, que revolucionaram as formas de ler e dizer o mundo: Jorge Luis Borges, Julio Cortázar e Ernesto Sábato, o grande escritor da consciência trágica na literatura desse país. Nascido em Rojas, filho de uma família de descendentes italianos, Sábato viveu entre três grandes “eus”: o cientista, o artista plástico e o escritor. Formado pela Faculdade de Ciências Físico-Matemáticas, em Buenos Aires, realizou seus estudos de Doutorado em Paris. A seguir, deixou a ciência para enveredar pelos caminhos da literatura, em especial do romance. A obra que estabelece um marco entre essas duas instâncias – a ciência e a arte – é Nós e o universo(1945), sua primeira publicação.

Escritor entre os grandes nomes da literatura hispânica, Sábato publicou, como ensaísta, uma vasta obra, da qual há destaque para O outro rosto do peronismo (1956), O escritor e seus fantasmas (1963), A cultura na encruzilhada nacional  (1973), Entre a Letra e o Sangue (1988) e A Resistência (2000). Na ficção, há destaque para O túnel (1948), Sobre heróis e tumbas (1961) e Abaddón, o exterminador (1974). Por seus romances, é possível estabelecermos o perfil crítico e tantas vezes sombrio do autor.

Escritor que registrou em palavras os problemas da condição humana, Sábato viu no romance uma forma de resposta e resistência à barbárie a que a civilização está submetida. Viu na literatura a esperança para um mundo feito de homens desprovidos de deuses.

Viajar é sempre um pouco superficial. O escritor de nosso tempo deve afundar na realidade. Viajar deve ser afundar, paradoxalmente, no lugar e nos seres de seu próprio rincão. O resto é coisa de frívolos, de meros cronistas, de snobes. Viajar, sim; mas para ver com perspectiva seu próprio mundo, para nele afundar. Assim como o conhecimento de nós mesmos passa pelos demais, só podemos indagar e conhecer a fundo nossa pátria conhecendo as que não nos pertencem.

Ernesto Sábato, O escritor e seus fantasmas

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